dezembro 30, 2011

Viagem



Agarrou no carro, pegou nas poucas coisas que tinha, apanhou o gato que andava a correr de um lado para o outro como se nada se passasse, alheio a tudo, os gatos sempre tiveram essa faculdade de olhar para as coisas de um modo superior. Meteu o gato no carro e arrancou.

O caminho já conhecia, tinha-o feito umas tantas vezes que nem sequer se dignou a precisar o número exacto. Estranhamente, não pensou! Iria viver noutra casa, seria parte de outra família, visto que a dele se tinha desmoronado como um castelo de areia na subida da maré.
Não pensou, mania de fazer as coisas em cima do joelho, viver como uma mulher que pouco a pouco ia conhecendo, estaria preparado para ela e para a ajudar a levar a bagagem que trazia? Sim, todos nós trazemos as nossas merdas é como quando compramos um burro na feira acabamos sempre por trazer as moscas com ele mesmo sem as termos pago.

Não pensou que estava a atirar-se para a piscina sem ver se a mesma tinha água, sendo de signo carneiro é um facto normalíssimo. Não pensou em saber se tinha poder de encaixe para tantas situações, se era capaz de se calar e engolir em seco, se era capaz de fazer as concessões que uma vida a dois requer.
Não pensou, aliás quando se está apaixonado não se é capaz de ser racional, não se lembrou que talvez viesse a ter medo! Estranho, quase com quarenta anos e com medo! Medo é para os putos, que não sabem ainda o que querem da vida, não sabia o que queria mas sabia muito bem o que não queria, o que por si só é um excelente ponto de partida. É muito fácil dizer-se “ah que inseguro” quando não se quer compromisso tende-se sempre em se estar nas tintas, em não querer saber, é da natureza humana a reagir quando se é rejeitado, a fazer tudo porque está ferido no ego. Faz-se da pessoa que não quer saber a culpada das frustrações e também se faz dela uma tábua de salvação.

A sorte protege os audazes, sempre ouviu dizer enquanto conduzia naquela estrada que serpenteava (literalmente) a serra. Se porventura algum remorso viesse a ter não seria por certo o de não ter tentado, desde há pouco tempo que aprendera a viver com os seus traumazinhos de infância, tinha-se dito a ele próprio que se não se podia desfazer deles podia ao menos fazer deles uma motivação para seguir em frente e também ao saber que eles existem sabia como os minimizar.
Agora pensa, que talvez seja melhor que aquilo que pensava, que vale muito mais do que julgava, que cada dia que passa é um valor acrescido, como leu algures “não juntes dias à tua vida mas sim vida aos teus dias.” Um dia disseram-lhe:
- Tu não imaginas o valor que tens!

Agora começa a ter um pequeno vislumbre. “Sim” Diz-se, “eu valho muito mais que as pessoas pensam!”
Agora pensa, apesar de ter medo o que é um instinto primordial ou seja é da sobrevivência do individuo que se trata! E querendo viver muito tempo deve seguir em frente e como a sua avó lhe repetia “não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe.”
Sai do carro procura o gato pegando-lhe ao colo sobe os poucos degraus e toca à campainha a porta abre-se e é recebido com um forte abraço e um beijo, afinal é bom estar em “CASA”.

dezembro 06, 2011

Claro!! É tão simples!




E tu és capaz de escrever para a avó?