setembro 22, 2010

Nunca deixes nada por dizer!




Venho de longe, de uma aldeia onde nada se passa, e se se passa logo se sabe. Aos dezanove anos por opção entrei na tropa, nos páras, a partir dessa altura o tempo na aldeia era pouco, a minha mãe dizia-me “só vens a casa para dormir” queria viver, absorver o mundo, como o eu conhecera nos livros, pois, mas a realidade era outra.

Em noventa e três tive um acidente de mota, quase passava para o outro lado, diz quem passou por experiências parecidas que vê a vida de outra forma, que tenta viver tudo e em pleno. Talvez comigo se tenha passado o mesmo, mas o que nos faz pensar, é ver os outros ir, por vezes de tal forma injusta que nos perguntamos “ mas por que raio é que só nos levam os bons???” “porque não me leva a mim?”  

Já vi morrer, sim... estranho, não é?? não é como nos filmes que depois de morrer se fecha os olhos a quem deixou de respirar, há o depois, há o sentimento que não se fez tudo o que se podia fazer, há os olhos que nos olham a dizer, “por favor não me deixes morrer” aqueles olhos que cada sofrego de oxigénio é um motivo para lutar, há o olhar de força, as palavras, “olha p'ra mim, eles estão a chegar, não adormeças, fica comigo.” Isto dito com a maior convicção do mundo, mas por outro lado sem que ninguém saiba, até mesmo eu, são palavras ao vento...aí...aí sim... as lágrimas escondidas, que ninguém pode ver, caem...e caem... e quando se está só... caem de verdade, até secarem.

"Não deixem nada por dizer, nem nada por fazer”

Disse António Feio, uma verdade daquelas que só quem pensa simples pode dizer, não deixes por dizer, gosto de ti, adoro-te ou mesmo amo-te, só porque não tens tempo, vergonha, não podes, não queres, não deixes de dizer, fizeste bem, gosto do que fazes.  

Hoje, podes dizer... Amanhã...quem sabe, estarás a chorar o não teres dito!

setembro 20, 2010

Vou ser ridículo também.!!!




Num dia após uma noite não dormida!                         Dia de hoje.



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Olá... tu que dentro de alguns dias irás ler esta carta, se o carteiro não se perder ou se por um ou outro motivo qualquer a carta só chegar a ti um tempo mais tarde.

Espero que estejas bem, de preferência no teu quarto, onde o resto do mundo deixa de existir, desejo também que a saúde não te tenha faltado e que esse belo e terno sorriso continue nos teus lábios vermelhos. Podia dizer-te que tenho saudades de ti, também podia dizer que não... Não vou dizer que não sinto saudades só para me armar em forte. Como se costuma dizer "longe dos olhos longe do coração". Quem disse isso de certeza que nunca esteve longe... ou jamais sentiu saudades.

Poderia encontrar um milhão de formas de dizer que gosto de ti...ou poderia simplesmente dizer como Carlos Drummond de Andrade,

Mas gosto de ti porque me fazes rir, conheces-me, porque não tenho medo de estar no teu colo. Gosto quando ris, quando me fazes rir, quando me desafias, quando fazes aquele olhar seco sempre que digo uma parvoíce (e olha que não são assim tão poucas!). Gosto quando me respondes à altura ou mesmo quando fazes os teus jogos de palavras. É bom sentir a paz que tens dentro de ti, sentir que quando chego de um mundo de loucos me posso refugiar no teu silêncio, sentir que ainda há segurança num sítio onde nada nem ninguém me pode tocar, atingir ou fazer mal.

Bem! Acho que já escrevi muito... eu sei! Sou um tagarela que estou sempre a dizer coisas sem que jeito algum tenham.

Despeço-me, com um beijo com os sabores do Verão e com um abraço morno que o Estio já vai longo este ano...

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Um dia também irei escrever cartas ridículas como esta.
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"Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.



Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.



As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.



Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

   

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.



A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.



(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas)."


Álvaro de Campos

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Moi même, o Je.