julho 21, 2010

Oh! gente da minha terra.



Cinco da manhã de umas ferias do entrudo (ferias era quando tinha escola) num mês de Março há anos atrás, o Carlos "espanhol" bate á porta do quarto:
- Jack está na hora, o ti Jaquim Tomás já tirou os bois levanta-te e vai ter á ribeira que vamos lavrar o lameiro.


A ribeira era uma quinta onde tínhamos vários terrenos de cultivo entre os quais o lameiro. Era onde semeávamos o milho, feijões e algumas abóboras sem faltar as videiras...
Levanto-me meio ensonado, vou para a cozinha onde a minha mãe tinha deixado leite de cabra em cima do fogão pego numa málga verto o leite dentro misturo-lhe nesquik e uma fatias de broa, como a minha dejua saio de casa não sem antes ir buscar o meu ancinho (sim!!! cada um tinha a sua ferramenta) e lá vou eu ter ao lameiro. Já tinham começado a lavrar a terra.

- Bom dia.
Digo eu.
- Bom dia Jack hoje fizeram-te levantar cedo!!!!
Nem respondo pegando no ancinho e começo a escolher a grama fazendo pequenos montes...
Adorava (ainda adoro) o cheiro de terra lavrada, o cheiro da orvalhada, o cheiro da serra estava ansioso pelo repouso dos bois... em que lhe deitava feno enquanto eles repunham a energias nós comíamos a merenda, queijo fresco, presunto, coelho frito e nesse dia tinha direito a comer "papo-secos" e beber um frisumo. Por volta das onze horas o lameiro estava lavrado já com o milho semeado mas ainda havia muito trabalho para fazer. Tirar a grama que se fazia um enorme "queimadouro" fazer a courelas e as leiras, por o estrume.

Á uma hora era tempo de almoçar na "casita" como chamávamos.
Batatas com bacalhau e couves cozido na panela de ferro, já comi muitas especialidades e muita coisa boa mas como aqueles almoços que comia quando ia para a ribeira...

Tenho saudades...

Saudades das coisas simples, do cheiro da terra, de colher amoras das silvas onde me arranhava todo, de roubar morangos, ir aos cogumelos, a vindima, de ir aos ninhos, de atirar pedras com a minha fisga, do meu arco,de jogar á bola no meio da estrada (muda aos cinco e acaba aos dez) das cabras que guardava, dos montes enormes de caruma que fazia para me atirar lá para cima...

Tenho saudades da minha aldeia....

saudades de gente genuína não de seres humanos que só são um numero na estatística.

Tenho saudades de casa...

Tenho saudades de mim!

4 comentários:

  1. OH , que saudades , tenho eu ,também desse tempo .Do tempo em que me chamavam "Maria rapaz" por fazer as mesmas coisas que os meus irmaos. Sim do tempo em que jogavamos a bola no meio da estrada.Do cheiro dos pinheiros, dos eucaliptos , saudades dos meus irmaos , que gostavam de me arreliar, a apontar-me o dedo indicador. ""olha a mamã fez papas" lembras-te?................. simplesmente SAUDADES

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  2. Em efeito! Coisas simples e eramos felizes! E com grande alegria e as lagrimas aos olhos que ao ler estas palavras recordo toda uma infancia rica, e repleta de bons momentos, amizades, e convivio entre as pessoas, nada se compara com o egoismo que se vive hoje em dia! Nessa epoca as pessoas entre-ajudavam, un dia ajudava-se fulano, dia seguinte ajudavam-nos a nos... depois sardinha assada batatas a murro...
    Saude, um grande abraço! Gente de minha terra.

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