julho 24, 2010

Palavras...
















Já quase toda a gente ouvir ou já aplicou a frase:
"Portugal profundo"
acho que é mais utilizado pelos eruditos ou coisa assim parecida...
Do tipo: estou aqui numa aldeia no interior isto é mesmo Portugal profundo"
ou quando está a ouvir o "malhão Malhão".. uma musica do Portugal profundo"
(deve ter caido n'algum poço ou coisa parecida)

Portugal profundo, onde toda a gente conhece toda a gente, se diz bom dia, se ajuda o Ti Manael e no dia a seguir o Ti Manel vem ajudar o Ti jaquim, onde se ralha por causa do regadio, onde eu vou dormir e deixo as chaves no carro e já agora a porta de casa está sempre aberta (não me lembro de a ter fechado uma vez que fosse á chave)
Onde se ainda dá valor á palavra dada, onde chega um desconhecido e oferece-se um copo de vinho e um pouco de broa e chouriço.
É isto o Portugal profundo?..
onde se dorme a sesta em baixo de um pinheiro numa tarde de calmaria em Agosto se vai ao rio, se bebe o leite de cabra acabado de tirar, se come queijo fresco feito pela avó,
se ouve um foguete que rebenta no ar e se diz:
Olha é festa em São Jorge, logo vamos lá, beber umas "mines"...
e quando a noite termina umas "mines" acabaram por ser varias grades delas.

É isto o Portugal profundo?...
Elucidem-me... tive uma branca...
Eu do Portugal superficial... (a dita cidade) só conheço mesmo é a indiferença,
Onde se deixa andar tudo até a um ponto sem sentido...
Mil vezes o meu Portugal profundo 

Moi même, o Je.

julho 21, 2010

Oh! gente da minha terra.



Cinco da manhã de umas ferias do entrudo (ferias era quando tinha escola) num mês de Março há anos atrás, o Carlos "espanhol" bate á porta do quarto:
- Jack está na hora, o ti Jaquim Tomás já tirou os bois levanta-te e vai ter á ribeira que vamos lavrar o lameiro.


A ribeira era uma quinta onde tínhamos vários terrenos de cultivo entre os quais o lameiro. Era onde semeávamos o milho, feijões e algumas abóboras sem faltar as videiras...
Levanto-me meio ensonado, vou para a cozinha onde a minha mãe tinha deixado leite de cabra em cima do fogão pego numa málga verto o leite dentro misturo-lhe nesquik e uma fatias de broa, como a minha dejua saio de casa não sem antes ir buscar o meu ancinho (sim!!! cada um tinha a sua ferramenta) e lá vou eu ter ao lameiro. Já tinham começado a lavrar a terra.

- Bom dia.
Digo eu.
- Bom dia Jack hoje fizeram-te levantar cedo!!!!
Nem respondo pegando no ancinho e começo a escolher a grama fazendo pequenos montes...
Adorava (ainda adoro) o cheiro de terra lavrada, o cheiro da orvalhada, o cheiro da serra estava ansioso pelo repouso dos bois... em que lhe deitava feno enquanto eles repunham a energias nós comíamos a merenda, queijo fresco, presunto, coelho frito e nesse dia tinha direito a comer "papo-secos" e beber um frisumo. Por volta das onze horas o lameiro estava lavrado já com o milho semeado mas ainda havia muito trabalho para fazer. Tirar a grama que se fazia um enorme "queimadouro" fazer a courelas e as leiras, por o estrume.

Á uma hora era tempo de almoçar na "casita" como chamávamos.
Batatas com bacalhau e couves cozido na panela de ferro, já comi muitas especialidades e muita coisa boa mas como aqueles almoços que comia quando ia para a ribeira...

Tenho saudades...

Saudades das coisas simples, do cheiro da terra, de colher amoras das silvas onde me arranhava todo, de roubar morangos, ir aos cogumelos, a vindima, de ir aos ninhos, de atirar pedras com a minha fisga, do meu arco,de jogar á bola no meio da estrada (muda aos cinco e acaba aos dez) das cabras que guardava, dos montes enormes de caruma que fazia para me atirar lá para cima...

Tenho saudades da minha aldeia....

saudades de gente genuína não de seres humanos que só são um numero na estatística.

Tenho saudades de casa...

Tenho saudades de mim!

julho 19, 2010

Um dia a mais que ontem!



-Ahhhh

-Sim, não pares

-Fode-me sua puta

-Dá-me esse caralho...

-Foda-se....

........PIIIIITITITITTITITITITITTPPIPIPIPIIIPTIPII- II......

Acordo com o barulho do despertador, primeiro pensamento.

-Puta que pariu!

estava a sonhar!

Meto as mãos debaixo do cobertor e sinto-me duro com uma tesão que parece que vou rebentar!
Olho para a merda do despertador... "não tenho tempo" tenho que me levantar!
Duas horas passadas o raio do sonho vem à baila, um tormento, parece que se está possuído!

O dia de trabalho acabou, meto-me no carro.

-Maldito calor.

Parece estar mais de 80 graus dentro daquelas latas! chego a casa vou para debaixo do chuveiro, e agora sim, vou soltar os meus demónios, soltar o sonho, soltar a tesão, soltar...
Sentir a agua que me corre pela pele como se de mãos se tratassem, sentir o calor do liquido como se línguas famintas me percorressem o corpo... estremeço, solto um AH em surdina e sinto a paz que dá lugar aos demónios matinais.

É o que dá sonhar que se está atado a uma cadeira! E com a merda do despertador ligado!

Moi même... o Je.

julho 01, 2010

És...

 

















Fazes-me sentir...
Bem.
Melhor.
Bom.
Como se pudesse e tivesse a força de mudar o mundo.

Fazes com que fique...
Contente.
Solto.
Forte.
Calmo.
Como se o mundo de repente decidisse andar em slow motion.

Fazes...
Sorrir.
Beijos.
Abraços.
Mimos.
Como se fossem de um lugar que não a nossa Via Láctea.

Tenho...
Saudades do tempo que ainda sinto o cheiro e do tempo que irei estar contigo, dos beijos abraçados e dos abraços beijados.

Fazes... falta.